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Zona Leste de Manaus tem baile com prostituição infantil e tráfico

Em Tempo, 01/04/18

Por Rafael Tavares



Manaus - Os bailes funks no Rio de Janeiro são conhecidos mundialmente pelas músicas e pela liberdade de tudo de ilícito que rola durante as festas animadas com muitas bebidas e drogas. Em Manaus, a realidade não é diferente no “Baile da Leste”.


Músicas, álcool e entorpecentes são liberados para adolescentes, com idade entre 13 e 17 anos. Eles participam do baile nas proximidades do campo do Bahia, no São José, na Zona Leste. A presença de crianças e adolescentes, e o consumo de drogas é visivelmente liberado e sem intervenção policial.


Não é a falta de policiamento na área que faz com que o baile aconteça até altas horas da madrugada, mas o medo, por parte da polícia, de intervir em um local onde tudo pode e nada é proibido. A equipe de reportagem do EM TEMPO esteve na região para conferir de perto toda a ação dos jovens, que com “paredões” e muita música alta ficam amontoados em uma praça e fecham a rua 19, 20 e 28 A, na Zona Leste  de Manaus.


Os jovens chegam até a atrapalhar o comércio na região, lanchonetes são obrigadas a fecharem as portas mais cedo, por conta do alto  consumo de bebida alcoólica e de drogas. “O barulho, a gritaria e o cheiro de maconha atrapalham muito quem está querendo trabalhar e garantir o pão de cada dia. Quando chega a sexta-feira, já sabemos que não vamos ter sossego e que sairemos mais cedo da praça”, explicou Maria Lúcia, dona de um lanche no local. Ela ressaltou que ocorre prostituição na região também.


No local, a reportagem presenciou um jovem em uma motocicleta servindo uma menina, de aproximadamente 15 anos, com drogas. A adolescente fez uma carreira do famoso “brilho”, em um cartão Passa Fácil, e o jovem, que aparentava ter 18 anos, também consumiu a substância e logo em seguida foi embora.


Polícia

O EM TEMPO entrevistou o delegado Pablo Geovanni, titular do 9º Distrito Integrado de Polícia (DIP), que explicou que constantes operações das polícias Civil e Militar são realizadas na área citada pela reportagem, mas que durante os dias normais, o efetivo policial não consegue dispersar os jovens, que ficam naquela área. “Eu já ouvi relatos de que uma viatura da 9ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) foi apedrejada pelos jovens que ficam no local. Isso ocorreu enquanto o policiais faziam o trabalho de rotina para passar pela rua onde eles ficam amontoados”, disse o delegado Pablo Geovanni.


Ainda de acordo com Geovanni, operações da Polícia Civil do Amazonas são feitas de forma rotineira e até mesmo em parceria com o Conselho Tutelar que atende a região, mas o problema ainda persiste. “Eu já vi festas lá, que teve mais de duas mil pessoas, e é muita gente para apenas uma viatura realizar o trabalho de dispersão das pessoas, ou revista, apenas uma grande operação consegue pelo menos inibir toda a situação”,  explicou o delegado.


Órgãos sabem da situação

O conselheiro tutelar da Zona Leste 1, Hildo Almeida da Silva, revela que reconhece a participação de jovens nessas festas, e não é proibido a presença deles, desde que estejam acompanhados pelos responsáveis. Segundo ele, o que não pode existir é a venda de bebidas e drogas aos adolescentes.


“Operações em conjunto com a polícia são elaboradas. Este ano ainda não realizamos nenhuma operação com a polícia, mas sabemos de tudo o que acontece na área do campo do Bahia e imediações. Geralmente a Cicom da área faz o mapeamento e depois entra em contato conosco para participarmos da ação”, disse Almeida.


Ainda segundo o conselheiro, cabe ao Conselho Tutelar, ao encontrar o adolescente nas festas, verificar se ele está acompanhado dos responsáveis. “Caso a criança esteja em local insalubre, sem o acompanhamento dos pais, o órgão vai até o local identificar as ameaças e orienta os adolescente a irem para casa”, completou o conselheiro Hildo Almeida.

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